segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Petrobras aprova tecnologia para reduzir queima de gás na plataforma

A indústria de petróleo brasileira deu mais um passo em direção à conquista da fronteira tecnológica que promete reduzir a queima de gás natural inerente, até o momento, à fase de produção – fato que limita, em razão da legislação ambiental, a produção de petróleo onshore offshore. A empresa britânica CompactGTL confirmou, no mês passado, que o primeiro módulo GTL (gas-to-liquids) compacto do mundo passou com êxito pelo programa de testes do centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Petrobras, o Cenpes. O equipamento permite, durante a extração de petróleo, a transformação química do gás natural associado (aquele extraído junto com o óleo) em líquido.
O procedimento é possível mediante a utilização de reatores, equipamentos utilizados para provocar reações químicas, produzidos em pequena escala, os microreatores. A miniaturização da planta GTL é o principal diferencial que garante versatilidade ao equipamento – no caso, sua instalação em navios-plataforma. Segundo a CompactGTL, o módulo resolve um dos gargalos inerentes à etapa desenvolvimento de poços.  
Em 2011, houve redução de cerca de 27% de queima de gás no Brasil frente ao volume de 2010, segundos dados da Agência Nacional do Petróleo. Para a ANP, o número ainda é alto. Em entrevista concedida à Agência Brasil, o superintendente adjunto de produção da ANP, André Luiz Barbosa, confirmou que o objetivo é reduzir a queima a 3% do total extraído. Em 2011, o máximo que se conseguiu foi cerca de 5% - em abril daquele ano.
A CompactGTL ainda informou que companhias petroleiras podem, com o novo módulo, implementar Testes de Longa Duração e a fase de desenvolvimento de poços sem a queima de gás ou reinjeção. A empresa frisou que, mundo afora, em razão da legislação ambiental, é muito difícil conseguir as permissões necessárias quando os planos da petroleira incluem queima de gás em longo prazo. Uma terceira opção de manejo é transportar o gás via gasodutos para refinarias no continente onde é aproveitado como combustível. O módulo GTL permite o armazenamento e transporte do gás natural, já transformado em líquido, pelo próprio navio-plataforma – o gás convertido em líquido é armazenado junto com o óleo.
Novo equipamento acumula 12 anos de pesquisa